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«O estudo do papel das revistas
é essencial para acompanharmos a vida intelectual de uma época ou
de um país. Não se pode saber o que foi o século XX português
sem a "Seara Nova" ou a "Orfeu", sem a
"Presença" ou a "Vértice", sem o "Tempo e
o Modo" ou a "Colóquio". E dificilmente
entenderíamos a história do mundo sem o "Athenaeum" ou a
"Nouvelle Revue Française", "Scrutiny" ou a
"Die Fackel" de que Karl Kraus se ocupou durante vinte e
cinco anos. (...)
Para a minha geração, existem
alguns nomes politicamente míticos: como entender a evolução da
esquerda europeia sem revistas como "Les Temps Modernes"
ou "New Left Review"? E como esquecer o entusiasmo com que
em dada altura líamos "Partisans" ou "El Viejo
Topo"? E como entender as mudanças do mundo sem ter em conta a
reformulação de "Esprit", o aparecimento de "Micromega"
ou as transformações de "Les Cahiers du Cinéma" ou o
carácter inovador de "Multitudes"? E como perceber
algumas das gritantes lacunas que existem em Portugal no domínio
cultural se não tivermos em conta o vazio de publicações de
reflexão generalista, ou a quase inexistência de revistas de
cinema ou artes plásticas?(...)»
[Extracto do artigo publicado no
"Mil Folhas", suplemento cultural do jornal
"Público", de autoria de Eduardo Prado Coelho, 3
de Março de 2001]
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