
Actividade Literária (UFP)
ARQUIVO PESSOA
Bibliografia (UFP)
Bibliografia
Activa
Bibliografia
Passiva
Biografia
F.
Pessoa (UFP)
F.
Pessoa
F.
Pessoa (outro)
F. P. (Vercial)
F. Pesssoa (IPLB)
Fernando Pessoa (Triplov)
F. Pessoa (1888-1935)
F. A. Nogueira Pessoa
F. Pessoa (Nuno Hipolito)
Fern.
Pessoa (Es)
Fern.
Pessoa (Uk)
FP-
O poeta do exílio
Galeria de
Fotografias
Heteronímia (UFP)
Pessoa Revisitado
Vida
e Obra de F. P

DA OBRA
1.040 poemas
Alberto Caeiro (Espólio)
Annabel
Lee (trad.)
As Associações Secretas
Bernardo Soares (biogr.)
Cartas
de Amor
English Poems
Espólio Fernando Pessoa
F. P. e seus heterónimos
Fernando Pessoa
Homenagem a F. P.
Lettre au C. Kayserling
Mensagem
Mensagem (Triplov)
O
Barão de Teive
O
Corvo (trad.)
O Livro do Desassossego
Obra completa
Obra Poética
Odes
de Ricardo Reis
Opiário (poema)
Poesias coligidas
Tabacaria (poema)

DO OCULTISMO
Associações Secretas
Cabala
e heteronímia
F.
P.
e Aleister Crowley
F. P. e a Maçonaria
F. P. e o Ocultismo
Filosofia Hermética
Hyram
Hyram (outro)
...
Judaísmo de F. Pessoa?
Mundos Esotéricos
O
Misticismo ...
O
Teósofo
Pessoa
e o Ocultismo
Pessoa Oculto em Pessoa
Um Maçon ...

LOCAIS
Ass Fr Amis de F. Pessoa
ARQUIVO PESSOA
Casa Fernando
Pessoa
Forum Fernando
Pessoa
Mundo Pessoa (Blog)
Orfeu Digital
|
|
Pessoana: Conjunto de
livros escritos por ou sobre Fernando Pessoa
|
|
NOTA BIOGRÁFICA
(1935) * Escrita pelo poeta
Nome completo:
Fernando António Nogueira Pessoa
Idade e naturalidade:
Nasceu em Lisboa, freguesia dos
Mártires, no prédio n.º 4 do Largo de São Carlos (hoje do
Directório) em 13 de Junho de 1888.
Filiação:
Filho legítimo de Joaquim de Seabra Pessoa e de D.
Maria Madalena Pinheiro Nogueira. Neto paterno do general Joaquim
António de Araújo Pessoa, combatente das campanhas liberais, e de D.
Dionísia Seabra; neto materno do conselheiro Luís António Nogueira,
jurisconsulto e que foi director-geral do Ministério do Reino e de
D. Madalena Xavier Pinheiro. Ascendência geral - misto de
fidalgos e de judeus.
Estado:
Solteiro
Profissão:
A designação mais própria será «tradutor», a mais
exacta a de «correspondente estrangeiro em casas comerciais». O ser
poeta e escritor não constitui profissão mas vocação.
Morada:
Rua Coelho da Rocha, 16, 1.º dt.º, Lisboa. (Endereço
postal - Caixa Postal 147, Lisboa).
Funções sociais que tem
desempenhado: Se por isso se entende
cargos públicos, ou funções de destaque, nenhumas.
Obras que tem publicado:
A obra está essencialmente dispersa, por
enquanto por várias revistas e publicações ocasionais. O que, de
livros ou folhetos, considera como válido, é o seguinte: «35
Sonnets» (em inglês), 1918; «English Poems I-II»
e «English Poems III», (em inglês também), 1922, e o
livro «Mensagem», 1934, premiado pelo
Secretariado de Propaganda Nacional, na categoria «Poemas». O
folheto «O Interregno», publicado em 1928 e
constituindo uma defesa da Ditadura Militar em Portugal, deve ser
considerado como não existente. Há que rever tudo isso e talvez que
repudiar muito.
Educação:
Em virtude de, falecido o seu pai em 1893, sua mãe
ter casado, em 1895, em segundas núpcias, com o comandante João
Miguel Rosa, cônsul de Portugal em Durban, Natal, foi ali educado.
Ganhou o prémio Rainha Vitória de estilo inglês na Universidade do
Cabo da Boa Esperança em 1903, no exame de admissão, aos 15 anos.
Ideologia política:
Considera que o sistema monárquico seria o mais
próprio para uma nação organicamente imperial como é Portugal.
Considera, ao mesmo tempo, a Monarquia completamente inviável em
Portugal. Por isso, a haver um plebiscito entre regimes, votaria,
com pena, pela República. Conservador do estilo inglês, isto é,
liberal dentro do conservantismo, e absolutamente
anti-reaccionário.
Posição religiosa:
Cristão gnóstico e portanto
inteiramente oposto a todas as Igrejas organizadas, e sobretudo à
Igreja de Roma. Fiel, por motivos que mais diante estão implícitos,
à Tradição Secreta do Cristianismo, que tem íntimas
relações com a Tradição Secreta em Israel (a Santa Kabbalah)
e com a essência oculta da maçonaria.
Posição iniciática:
Iniciado, por comunicação directa de
Mestre a Discípulo, nos três graus menores da (aparentemente
extinta) Ordem Templária de Portugal.
Posição patriótica:
Partidário de um nacionalismo mítico,
de onde seja abolida toda a infiltração católica-romana, criando-se,
se possível for, um sebastianismo novo, que a
substitua espiritualmente, se é que no catolicismo português houve
alguma vez espiritualidade. Nacionalista que se guia por este lema:
«Tudo pela Humanidade, nada contra a Nação».
Posição social:
Anticomunista e anti-socialista. O mais deduz-se do
que vai dito acima.
Resumo destas últimas
considerações: Ter sempre na memória o
mártir Jacques de Molay, grão-mestre dos Templários, e combater,
sempre e em toda a parte, os seus três assassinos - a
Ignorância, o Fanatismo e a Tirania.
Lisboa, 30 de Março de 1935.
.[in "Escritos Íntimos, Cartas e
Páginas Autobiográfias", Europa-América, intr., org. e notas de
António QuadrosTexto - * O texto acima reproduzido, "foi apresentado
na integra ... na Exposição da Biblioteca Nacional de Lisboa,
«Fernando Pessoa - O Último Ano», e "estava na posse do arquitecto
Fernando Távora, que o recebera de Alfredo Guisado, amigo e
companheiro de Pessoa no Orpheu"]
|
|
"Não
procures nem creias: tudo é oculto" [Fernando Pessoa]
"Malhas
que o destino tece: Fernando Pessoa nasceu (não só como
«Fernando» mas também como pessoa sócio-cultural) com o Ultimatum inglês e expirou quando o Estado Novo definia o perfil
com que arrostaria a implacável voragem do tempo. Com efeito, o
ciclo vital e civil de Fernando António Nogueira Pessoa,
descendente de um «misto de fidalgos e de judeus», principiou,
como é sabido, em 1888 e concluiu-se em 1935. Nesses quarenta e
sete anos de vida tão breve, mas cheia como um ovo, quanta
pulsação fremente e decisiva em Portugal e no vasto mundo!
(...)
No meio de tudo isto, Fernando Pessoa, que não chegou a velho, como
acontece com aqueles a «quem os Deuses amam»; no meio de tudo
isto, acaso, sobretudo nisto tudo - no próprio coração das
coisas, sopesando-as, ele debate-se e eleva a voz, umas vezes
(poucas), em público, e, quase ininterruptamente, rabisca,
dactilografa, pelas noites for, para a arca inexaurível.
procurando, procurando-se, mediante a alquimia do verbo, seu
instrumento e seu tormento, julgando-se mais só e desamparado
do que realmente estaria ..
No
tocante à biografia pessoana - melhor seria dizer-se bibliografia
-, deparam-se dois planos - o público e o secreto - que, aliás,
importa ir aproximando.
(...)
Aos 17 anos, com o seu inglês bem aprendido, regressa a Lisboa no
fito, parece, de se matricular no Curso Superior de Letras (...) que
mandaria ás urtigas, no contexto da greve estudantil de 1907 (...) .
Em 1910, no Porto republicano, bem ressabiado ainda pelo malogro do
31 de Janeiro, surge a revista Águia, núcleo originário
daquilo que viria a ser a «Renascença Portuguesa»,
inspirada por Pascoaes, Leonardo Coimbra, Jaime Cortesão, (...) Ali
se estreará, como escritor público, com uma série de artigos de
importância fundamental para a compreensão do seu projecto
cultural-literário, e explicitamente respeitantes à «Nova
Poesia Portuguesa», considerada nos seus aspectos sociológico
e psicológico. (...) O Ano de 1915 é o ano breve, intensa e
decisiva aventura de criatividade «modernista» que deu pelo nome
de Orpheu (...) [1917] com a liberdade potenciada de também
ser Álvaro de Campos, no seu Ultimatum, manda «à Merda» a
Europa «civilizada» (..) A publicação (de 1915 a 1921) dos seus
poemas ingleses (Antinouos, Inscriptions e
English
Poems) (... ) o Banqueiro Anarquista (1922), posto a
circular num momento crucial da vaga anarquista e sindicalista (...)
dirige, com o cunhado a Revista de Comércio e Contabilidade,
na qual abundantemente escreveria (...) em 1928, dá a lume (...)
Interregno,
Defesa e Justificação da Ditadura Militar em Portugal (...)
Depois, até que a morte sobrevenha, releve-se o significado da
publicação de Mensagem (1934), único livro de poesia em
português que deu à estampa, e poucos meses antes do seu passamento, o artigo sobre «Associações Secretas», contra o
projecto do Estado Novo, que viria a efectuar-se, de pura e
simplesmente proibir a maçonaria em Portugal (...)"
[Extracto do prefácio de Joel
Serrão, intitulado «Da República Portuguesa e de
Fernando Pessoa nela» para: "Da República",
livro pertencente às Obras Completas do Poeta, Editora Ática,
Lisboa, 1978]
|
|
"(...) Poeta, sobretudo poeta, mas também
dramaturgo, pensador, crítico,
ocultista, astrólogo, teorizador
apaixonado da secreta verdade de um Portugal-mito, pesquisador
subtil de realidades visíveis e indivisíveis, Fernando Pessoa foi
também um extraordinário ficcionista. Conheciam-se alguns contos
de menor relevo, como a Crónica Decorativa (1914), A Rosa
de Seda (1915) ou Um Grande Português (1926), mais tarde
intitulado pelo próprio autor A Origem do Conto do Vigário (1929).
E conhecia-se principalmente a singular novela, notável pela
originalidade da concepção e pela qualidade do texto, O
Banqueiro Anarquista (1922), publicada na revista Contemporânea,
dirigida pelo seu amigo José Pacheco (...)
Com O
Livro do Desassossego, (...), só publicado na íntegra ou quase
na íntegra em 1982, na edição Ática, em dois volumes, (...):
encontramo-nos perante uma obra de ficção à altura da melhor
poesia de Fernando Pessoa (...)"
[Extracto do prefácio de António
Quadros, para: "Livro do Desassossego",
livro pertencente às Obras em Prosa de Fernando Pessoa, Europa-Ámerica,
Lisboa, 1986]
|
|
"(...) O destino do poeta teceu-se com o desassossego da busca,
e a palavra, nele transformada em centro irradiante, materializou
sempre, ou quase sempre, as experiências do seu mundo interior, da
sua visão não apenas literária mas também e sobretudo profética
e mística da vida.
Já várias vezes afirmei [Yvette Centeno], a propósito
da datação possível do seu interesse pela filosofia hermética e
pelo ocultismo em geral, que certos poemas de Alexander Search, o
heterónimo juvenil, e certas notas de leitura do caderno assinado
pelo mesmo, e referentes ao ano de 1906 (...), mostram que é antiga
a sua curiosidade e a sua relação com tais matérias. Do ano de
1916 várias facturas e listagens de encomendas de livros continuam
a demonstrar idêntica inclinação (...)
Fernando Pessoa encontra na filosofia hermética uma via para o
instruir sobre a natureza do homem (e da arte, como sua mais elevada
dimensão), a natureza do universo e de Deus. Alcança deste modo uma
forma de sabedoria, a que lhe permite fechar
o círculo da serpente ouroboros, descobrindo e afirmando que «tudo é um» e que ao
artista, como ao adepto, compete «reconhecer a verdade como
verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os
aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no
fim, senão o entendimento de tudo»
[Extracto do prefácio de Yvette
Centeno, para: "Fernando Pessoa e a
Filosofia Hermética",
Lisboa, Editorial Presença, 1985]
|
|
"Quem somos e para onde vamos, são duas
perguntas que ele [Fernando Pessoa] procura responder
através do conceito da alma tripla a evoluir em cada um de nós, e
da afirmação duma Ordem Secreta e dum plano divino no qual se
insere a vida do país, a alma da nação, que teve nos Templários,
e na Ordem de Avis e na de Cristo os seus mediadores e avatares mais
conscientes. Com estes e outros iniciados se catalizou, em Portugal,
a harmonia social, a cultura tradicional, o culto do Espírito
Santo, as descobertas, a universalidade. E, se houve depois queda e
dormência do país, causadas pelas mais diversas influências, como
nos relataram Antero e Pessoa entre outros, haverá agora a
possibilidade de se dar um segundo movimento da Ordem Iniciática
que me Portugal inspirou os Templários e a Ordem de Cristo. E, é
para essa tarefa que Pessoa diz que é a hora. (...)"
[Texto
de Pedro Teixeira da Mota, para: "A
Grande Alma Portuguesa", colectânea de textos de
Fernando Pessoa, Edições Manuel Lencastre, 1988]
|
|

|
|
|


Pessoa em 1898
Aos 10 anos

Pessoa em 1908

Pessoa no Chiado

Pessoa por José Ralha

Pessoa
e a Filosofia Hermética, organizado por Yvette Centeno
|