|
Maria
Ondina Braga nasceu em Braga, a 13 de Janeiro de 1932, "onde
concluiu os estudos liceais"."Começou pela poesia, tendo publicado
dois livros de poemas, e escreveu crónicas de carácter social
para jornais da sua cidade. Daí partiu para Inglaterra e depois
para França, sempre estudando e trabalhando. Como docente,
ensinou inglês e português em Angola, em Goa (onde assistiu à
ocupação pelas tropas indianas) e também em Macau, entre 1959 e
1965" (DN). Herdeira de «uma
poderosa tradição clássica", mas aqui e ali
"sobressaltada por um especial instinto de renovação»,
Maria Ondina Braga "combina" com extrema sensibilidade a
" memória, conto, novela, romance e crónica", tendo
sido tradutora de "autores como Graham Greene, Bertrand
Russel, John Le Carré, Herbert Marcuse, Anaïs Nin e Tzvetan
Todorov." " Depois de ter vivido grande parte do seu
tempo em Lisboa - onde colaborou também com jornais e revistas
como o "Diário Popular", "A Capital" e
"Colóquio/Letras" -, Maria Ondina Braga recolhera-se,
nos últimos anos, na sua terra natal (onde a Câmara Municipal a
homenageou em 1990, e lhe atribuiu a Medalha de Ouro da cidade, em
1994). [Mil Folhas, Sérgio Andrade].
"Maria
Ondina Braga desenvolveu uma escrita feita de textos de carácter
intimista, marcada por temas como a solidão, a melancolia, a
consciência da morte. «Não tenho aspirações, estou muito
virada para a morte. Sou melancólica. Talvez seja essa melancolia
que traga a presença da morte. Não tenho apego à vida, nunca
tive», costumava dizer. Viveu solitariamente. «Sozinha com a
escrita. A escrita é a única coisa que tenho na vida. Digamos
que é uma fatalidade»". [Diário Notícias]
-
"E a escritora menina e descobridora fala da sua alma: a que
pertencia ao mundo calado do alheamento e da solidão. Esta, a
menina de Braga, que salta da Escócia à China e volta - sempre
só a estar bem onde não está, ou a estar bem em todos os
sítios a um tempo - que volta aos vivos e aos defuntos; às
infantilidades e à trança de menina: a menina parecida com o
Outono, que ao Outono se compara". [Tomaz de Figueiredo]
-
"Às tardes, de volta das aulas, neste meu estreito quarto
atravancado de livros, olho em redor as paredes brancas, onde se
destaca o colorido de uma ventarola chinesa, e depois o meu
próprio rosto no espelho. Então, como a madrasta da Branca de
Neve diante do cristal mágico, pergunto: «Haverá alguém mais
triste do que eu?»" [Maria Ondina Braga - Estátua de Sal]
-
"E teimo na minha terra: as ruas de Braga, cada esquina, cada
pedra, quase. Um a um, vou transportando os passeios estreitos das
ruas velhas, tortas, a brancura das avenidas, as lojas, as
igrejas, os largos. Ando por lá peregrinando." [idem, ibidem]
Bibliografia
- Eu Vim para Ver a Terra (1965) - Crónicas
- A China Fica ao Lado (1968) - Contos [Prémio do concurso
de Manuscritos do SNI em 1966]
- Estátua de Sal (1969) - Romance
- Amor e Morte (1970) - Contos [Prémio Ricardo Malheiros]
- Os Rostos de Jano (1973) - Novelas
- A Revolta das Palavras (1975) - Contos
- A Personagem (1978) - Romance
- Mulheres Escritoras (1980)
- Estação Morta (1980) - Contos
- O Homem da Ilha e Outros Contos (1982)
- A Rosa de Jericó (1982),
- A Casa Suspensa (1983)
- Lua de Sangue (1986),
- Memórias e mais dizeres (1988)
- Nocturno em Macau (1991) - Romance [Prémio Eça de
Queirós]
- Passagem do Cabo (1994)
- A Filha do Juramento (1995)
- Vidas Vencidas (1998) [Grande Prémio de Literatura ITF
2000]
|