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Ex-Libris [ou «ex
libris»]: "Marca escrita ou desenhada que indica no
princípio, no frontispício ou na guarda de um livro a livraria ou
a pessoa a quem pertence ou pertenceu esse livro" J.
Pedro Machado
[ou ainda] - "Ex-Libris
é um indicativo de propriedade, uma marca de posse bibliográfica,
que vai desde o nome do possuidor, manuscrito na capa, na
folha-de-guarda ou primeiras folhas do volume, até folha solta de
papel, pano ou pele, de mais ou menos reduzidas dimensões, onde estão
manuscritos ou impressos desenhos ou dizeres e que aparecem apostos
geralmente no ante rosto do volume encadernado ou brochado (quando não
é intercalado na encadernação, antes da primeira folha);
abrangendo ainda desenhos e dizeres gravados a oiro ou a seco, nas
pastas e lombadas das encadernações, ou pintados em pele ou
marfim, ou ainda abertos a buril em chapas de metal, e que são
apostos na parte anterior do volume, nos locais indicados." - Armando
de Mattos
[ou ainda] - "É o
documento que garante ao dono de um livro a posse deste. Esse
documento - que se cola no verso da capa (cobertura da frente) de
cada obra que se possua - é constituído por uma estampa
(de desenho heráldico, alegórico, simbólico, ornamental ou
falante) obtida de gravura mecânica ou artística, especificamente
executada para o efeito, na qual tem de estar incluída a expressão
portuguesa «Ex-Líbris de» (ou qualquer outra equivalente: «Da
Biblioteca de», «Dos livros de», «Este livro é de», etc.),
seguida do nome (geralmente abreviado) do utente do
livro. A composição desse ex-líbris deverá expressar claramente
(se não for apenas heráldica) a maneira de ser do seu usuário, as
suas tendências culturais e artísticas, os seus ideias, bem como
outros elementos que caracterizam a pessoa que use essa marca
bibliotecária; mas todo esse desenho deve ser o mais singelo
possível - para que não se torne num amontoado semiológico - e de
tal maneira executado que, ao ser reduzido, por processo mecânico
ou artístico, os traços não fiquem juntos, produzindo um 'empestelamento'
desagradável e prejudicial. (...) É de toda a conveniência que
esse desenho contenha também uma legenda ou divisa
usada pelo possuidor, embora esta não seja obrigatória. O que é
indispensável é que no ex-líbris figure o nome do utente, pois de
contrário este não identifica quem é o dono do livro, deixando
assim de cumprir uma das suas funções fundamentais (...) Convirá,
igualmente, que nas marcas bibliotecárias não se empregue ao acaso
a expressão latina ou a palavra portuguesa. Se o nome do utente
(pessoa ou entidade) aparecer escrito em latim, naturalmente que
será ex libris (Ex libris / Iosephi ...) sem preposição «de» -
inexistente na língua de Lácio - a seguir à locução; mas se o
nome figurar em português, necessariamente e sem qualquer dúvida
que o termo terá de ser ex-líbris (Ex-líbris / de José ...) com
preposição" - Fausto Moreira Rato
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« (...) O
ex libris pode ser definido como sendo um verdadeiro título de
propriedade que identifica os livros de uma pessoa ou biblioteca
expressando a personalidade daquele que o possui. Podemos associar a
ele palavras e expressões como "brasão do espírito",
"emblema", "selo", "etiqueta",
"pertence", "sigla bibliotecária",
"vinheta", "marco bibliográfico", "sigla
livresca", "iconografia livresca", "marca de
posse" 2, até "logotipo". (...) A expressão latina
ex libris significa "dos livros", "dentre os
livros", "fazendo parte dos livros" (de uma
biblioteca).
A dúvida sobre a colocação ou não do hífen fica sanada por
Carlos Pastorino, citado por Manuel Esteves, quando, no
"Boletim da Sociedade de Amadores Brasileiros de Ex Libris"
afirma que entre os dois vocábulos não há hífen por serem duas
palavras latinas distintas: "ex" (= de, dos) e "libris"
(=livros). Se houvesse o hífen, o sentido ficaria alterado como nas
expressões ex-alunos, ex-diretor, isto é, "não mais
alunos" ou "que já foi diretor", daí "ex- -libris"
viria a ser "não são mais livros". E o mais importante:
em latim não existe hífen. Em alguns países esta expressão se
aculturou, como no Oriente. Esse selo de posse pode aparecer colado
na face interna da capa, no rosto ou ante-rosto do livro, ou aposto
na parte externa da sua encadernação, tomando, geralmente neste
caso, a designação de super libros.
O ex libris contribuiu para a formação de uma arte inimitável
acompanhando as tendências artísticas de cada época. Ao mesmo
tempo se prestava a identificar o livro e sintetizava as tendências
intelectuais, morais, literárias, científicas, enfim, os traços
culturais de seu tempo. (...) Traduzindo a personalidade de seu
titular (ou utente), ele vale muito mais do que podemos imaginar à
primeira vista pois constitui um emblema sintético da expressão
psicológica individual, associado à concepção artística do
desenhista que lhe dá forma, expressão e decoração artística.
É um momento único de cooperação entre o artista criador e o
bibliófilo que o inspirou, definido por Geneviève Granger na
seguinte frase: "L'ex libris doit être un peu une confession...".
Stella Maris de Figueiredo Bertinazzo
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« (...) Dado
que existem certas disparidades quano á forma de escrever algumas
das palavras comummente usadas na modalidade e se faz grande
confusão de acepções e definições entre elas (...) Quando
em Portugal se começou a usar marcas bibliotecárias, nelas não
figurava a palavra «ex-líbris», só muito mais tarde é que tal
sucedeu, na altura em que se pretendeu substituir as expressões,
bem portuguesas, «Da Biblioteca de» e »Da Livraria de» pela
locução latina «Ex libris» (sem hífen), cuja tradução literal
é: «Dos livros», mas que na realidade significa «Dos livros
de», tal como os Italianos assim o entendem e é extensivo à nossa
língua (la cui dizione latina, tradotta letteralmente, vuol dire
«dai libri di»). Porém, devido à circunstãncia de muita gente
não se ter debruçado atentamente sobre o assunto, começaram a
ligar com o hífen os dois elementos que compõem a expressão, daí
resultando o emprego simultâneo das duas formas gráficas (com e
sem hífen). (...) Na
realidade, só existem duas formas correctas de escrever: ou ex
libris (sem hífen) em latim ou ex-líbris (com
hífen e com acento agudo no primeiro «i») em português.
Qualquer outra variante é autêntico erro gráfico (... ) À
locução latina, ninguém pode alterar a grafia. Quanto ao termo
português, diz-nos o Prof. Doutor Francisco da Luz Rebelo
Gonçalves [nota: in Boletim da Academia Portuguesa de Ex-líbris,
nº 3]: 'Conquanto se trate originariamente de uma expressão
latina, a verdade é que essa expressão se aportuguesou, passou a
ser palavar do nosso léxico e, como tal, não pode deixar de se
regular pelas normas de acentuação gráfica que regem os
vocábulos portugueses ... Tem de levar acento agudo na penúltima
sílaba do segundo elemento, em virtude de este elemento ser
paraxítono e terminar em is. (...) [Extracto
do "Manual de Ex-librística", de Fausto
Moreira Rato, INCM, 1978]
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Bibliografia sobre
Ex-libris - (Algumas obras de referência):
- Archivo de Ex-Libris
portuguêses - Dir. Joaquim Araújo, 7 vol.+ 1 fasc. do VIII
vol., Génova, 1901-1908
- Arquivo Brasileiro de
Ex-Libris - Dir. Octávio de C. Tourinho, Rio de Janeiro, 1950
- Arte (A) do Ex-Libris.
Boletim da Associação Portuense de Ex-Libris - Dir. Alberto
Ortigão de Oliveira, Porto, nº1 (1956) ao nº 99 (1982), 1950-1982
- Arquivo Nacional de
Ex-Libris - Dir. Armando de Matos et al, 2 vol., Lisboa, 1927-1934
- Boletim da Academia
Portuguesa de Ex-Libris - Dir. Carlos Lobo de Oliveira e D. Guida
Keil, Ano I, fasc.1 (Set. 1955) a Ano XX, nº 74 (1975), Lisboa,
1955- 1975
- Botey, Francisco
Esteve - "Ex Libris y exlibristas", Madrid, 1949,
306 p.
- Chaves, Luís -
"Subsídios para a história da gravura em Portugal",
Coimbra, 1927
- Esteves, Manuel - "O
Ex Libris", Rio de Janeiro, 1956
- Ex-libris - Dir. Eduardo
Leiria Dias, 15 num (7 fasc.), Lisboa, 1946-1948
- Ex-libris. Portugal -
Dir. Mário L. R. Vinhas, Lisboa, 1951- 1959, IV vol.+ 2 fasc.do V
vol.
- Ex-libris - Publicacion
de la Associacion de Ex-Libristas Ibericos, Madrid, 1952-1961, 20
num.
- Matos, Armando de -
"O que é o Ex-Libris", Lisboa, 1927
- Rato, Fausto Moreira -
"Manual de Ex-Librística", Lisboa, INCM,
1976, 238 p.+IV
- Revista de Ex-libris
Portuguezes - Dir. Conde Castro e Solla, VI vol., Lisboa, 1916-1927
- Tomás, Aníbal Fernandes
- "Os Ex-Libris ornamentaes Portuguezes", Separata da Rev.
Portugal Artístico, Porto, 1905
- Tomás, Aníbal Fernandes
- "Os Ex-Libris Portuguezes (Alguns subsídios para o seu
catálogo)", Figueira da Foz, Imprensa Lusitana, 1902
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Aníbal
Fernandes Tomás |
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Conde de
Fornos d'Algodres
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Egas
Moniz
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J.
Amaral Leal
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Henrique
Granadeiro
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Wim
Moubis
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Ex-Libris
erótico de Balbi
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